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Pudemos construir e reconstruir
mas preferimos deixar tudo em ruínas
por alguma razão oculta
Um verão interminável
que prolongámos até onde pudemos
mesmo na maior mentira
Um amor antigo
agora morto como todas as coisas
que não tiveram existência propriamente dita
Os sonhos perdidos
primeiro porque não acreditámos neles
Depois porque se acreditássemos
teríamos de partir e abandonar tudo
E para isso não tivemos coragem
